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Reduzir, Reciclar, Reutilizar |
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28-setembro-06 |
Para preservar o planeta e os recursos que este oferece, é urgente uma mudança de atitude em relação ao meio ambiente e a todos os problemas inerentes. Atitudes individuais e sociais, podem reflectir-se directa ou indirectamente numa mudança positiva, basta que todos adoptemos a política dos três “erres”: reduzir, reutilizar e reciclar.
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Numa sociedade de consumo imediato, onde palavras como consumismo e desperdício ganham cada vez mais relevo, conceitos como educação ambiental e desenvolvimento sustentável assumem particular relevância. Torna-se cada vez mais necessário e imperativo educar os cidadãos a respeitar e preservar o planeta e todos os recursos que este oferece. Apesar da aparente estabilidade, o planeta tem sido alvo de diversas alterações ao longo dos anos, muitas das quais irreversíveis, devidas à constante manipulação do Homem. Contudo, denota-se uma crescente consciencialização dos cidadãos para uma política de protecção ao ambiente. Gradualmente, começa-se a interiorizar que o futuro do planeta depende da preservação do mesmo. Conceitos como reduzir, reutilizar e reciclar ou política dos três “erres”, começam a fazer parte integrante do quotidiano dos cidadãos de todo o mundo. |
Reduzir, o primeiro “erre”, deve ser o primeiro gesto a ser realizado para a preservação do ambiente. Indústrias e consumidores podem e devem desempenhar um papel primordial na redução através da utilização de materiais e tecnologias menos poluentes. As indústrias devem optar pelo fabrico de embalagens mais leves, com um menor gasto de energia e recursos naturais, conservando a mesma qualidade. Ao nível doméstico, é possível e necessário reduzir a produção de lixo, evitando desperdícios desnecessários, e rejeitando os produtos com mais do que uma embalagem.
Reutilizar, implica utilizar o produto mais do que uma vez, quer para o fim que foi concebido quer para outra utilização. Antes de um produto ser descartado, é necessário pensar se não existe uma reutilização possível do mesmo. Muitas das embalagens produzidas são especialmente concebidas com o intuito de serem reaproveitadas, como as garrafas de vidro com depósito. Aquando da aquisição de um produto, é necessário pensar em optar por produtos que sejam total ou parcialmente reutilizáveis, como as recargas que permitem a reutilização da embalagem e as pilhas recarregáveis. Produtos que aparentemente não têm mais utilidade podem ser reparados ou ter utilidade para outros, podendo ser doados a instituições de solidariedade social.
O terceiro “erre”, o mais conhecido e utilizado, significa reciclagem, que se traduz no processo de transformação de materiais usados numa matéria prima ou bem de consumo, representando actualmente um dos processos de valorização de resíduos mais utilizados. A recolha selectiva é o primeiro passo do processo de reciclagem, ou seja, separar as embalagens por tipo de material que serão posteriormente colocadas nos ecopontos. O vidro no contentor verde, papel e cartão no azul, plástico e metal no amarelo e pilhas no vermelho. Materiais como a madeira podem ainda ser depositados nos ecocentros. Mas a recolha selectiva é apenas o início do processo de reciclagem, depois de recolhidos dos ecopontos, os resíduos são transportados para as Centrais de Triagem onde passam por um processo de selecção mais rigoroso. Depois de compactadas, as embalagens são transportadas para as Unidades de Reciclagem.
A reciclagem comporta vantagens nos mais diversos níveis como o económico, o ambiental e o social. Proceder a este método traduz-se em economia de energia, uma vez que o fabrico de materiais a partir de resíduos implica um menor consumo de energia do que fabricar a partir de matérias virgens. Além disso permite uma economia de fontes de energia não renováveis como o caso do petróleo. De salientar ainda que a reciclagem possibilita ainda a recionalização dos recursos naturais, assim como a reposição dos não re-aproveitáveis. Reduz-se a acumulação de lixo cujo destino passa pelos aterros sanitários, permitindo que a durabilidade destes aumente, evitando o desperdício de recursos na construção de novos espaços. São ainda evitados o corte de milhares de árvores necessárias para a produção de papel, e a emissão de gases como metano e gás carbónico. Todos estes factores contribuem para um melhor ambiente, uma melhor qualidade de vida que se traduz numa melhor sociedade.
Portugal ainda é dos países da União Europeia que menos recicla, ficando muitas vezes aquém dos parâmetros exigidos.
Em Portugal, a Sociedade Ponto Verde (SPV) é a empresa responsável pela recolha selectiva, retoma e reciclagem de resíduos de embalagens. Segundo dados da SVP, a reciclagem tem sofrido um aumento gradual de ano para ano, verificado na quantidade de resíduos de embalagens reciclados que aumentou de 1.494 toneladas em 1998 para 348.593 em 2005. No primeiro semestre de 2006 foram reciclados 168.036 toneladas de resíduos de embalagens. Cada português produz cerca de 205 quilos de lixo por ano. Desde 1960 que o lixo provocado por embalagens aumentou mais de 200 por cento. No entanto, Portugal ainda é dos países da União Europeia que menos recicla, ficando muitas vezes aquém dos parâmetros exigidos.
Educar para preservar
Porém, quando falamos em proteger a natureza e adoptar um comportamento “amigo do ambiente”, devemos ter presente que a reciclagem não deve vir separada dos outros dois “erres”, reduzir e reutilizar. Os três conceitos encontram-se ligados e devem funcionar conjuntamente. Se 1 milhão de pessoas usassem a frente e o verso do papel, cada uma economizaria 50 folhas por mês traduzindo-se numa economia de 500 toneladas de papel. São necessários 12 milhões de metros cúbicos de água para produzir essa quantidade de papel, o suficiente para abastecer 800 mil famílias de seis pessoas com 125 litros de água por pessoa.
Urge uma gestão equilibrada dos recursos disponíveis, essencialmente dos não renováveis, não permitindo que “interesses”, transformem a natureza numa fonte de exploração ao serviço do desmedido desenvolvimento económico. O uso que o Homem faz dos recursos e energia que explora, marcam definitivamente o meio provocando um significativo impacto ambiental. No âmbito desta crescente preocupação torna-se cada vez mais “viável” a utilização de energias renováveis, que comportam a vantagem de não serem poluentes, poderem ser localmente exploradas, para além de que a maior parte das mesmas não emite gases com efeito estufa. Não obstante, o seu uso ainda é pouco comum devido aos elevados custos de instalação, à inexistência de tecnologias e redes de distribuição experimentada e, na generalidade, devido ao desconhecimento do assunto por parte dos consumidores e municípios. Em Portugal, que não possui recursos energéticos fósseis, o uso de energias renováveis deveria ser cada vez mais uma aposta a considerar.
Ana Sousa |